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Segunda-feira, 28 de Julho de 2008
Avaliação externa?

Lá no patronato, e num claro esforço para inverter a situação que se verificou há um ano atrás, em que não gozámos os nossos vinte e tal dias úteis de férias, resolvemos fazer um calendário de férias. Isto é, no Excel, escrevemos os nossos quatro nomes, metemos todos os dias dos meses de Julho e Agosto e marcámos cruzinhas para cada um de nós, até um total de quinze cruzes - quinze dias úteis. Abaixo dos vinte e muitos dias a que temos direito, mas enfim. Espalhámos a coisa por forma a estarem, sempre que possível, pelo menos dois de nós ao serviço, para o que der e vier.

 
Somos muito bem intencionados, note-se. Normalmente, esta ideia seria exequível, mas, infelizmente, vivemos na Era Sócrates, em que o importante é mexer, mesmo que mexa mal e não sirva para nada. Nesta Era, os nossos superiores hierárquicos, tanto a nível regional como central, vivem uma loucura pegada, onde nada é feito com tino, onde todas as semanas há novidades, onde reina a confusão, onde ninguém sabe dar explicações consistentes e cabais.
 
Como hoje, que logo a seguir ao almoço os dirigentes regionais enviaram, de surpresa e para todas as instituições, uma circular bombástica com umas certas medidas a tomar ainda no próprio dia, como se os patronatos estivessem diariamente estacionados nos seus gabinetes, de braços cruzados, à espera que alguém de cima lhes dê que fazer. Uma circular que chegou por e-mail às catorze horas e por fax às dezassete e trinta. Loucos! Completamente loucos e incompetentes!
 
Quanto a férias, e tirando uma semaninha em Agosto para a qual já tenho bilhete de avião comprado para a Áustria, já estou a ver que a cena das cruzinhas foi mais para aquecer do que para viver. As minhas cruzinhas começaram há quatro dias atrás e ainda não passei um único destes dias sem “esbanjar” oito horas na instituição, a andar com papéis e devorar legislação. É mesmo bonito.
 
Claro que umas férias saberiam bem, assim nem que fossem só duas semaninhas (daria dez dias úteis), mas nem isso. Um gajo precisa de descansar um bocado, parar a máquina durante os tempos, recarregar energias, ver uns biquínis, comer uns tremoços regados com cerveja gelada, e por aí fora.
 
Hoje, enquanto lia dois normativos e tentava actualizar um regulamento, dando dois dedos de conversa com o patrão e recebendo ocasionais visitas, ocorreu-me que se me tinha esgotado a água para beber em casa, que um gajo é fino e só bebe água engarrafada. Por tal, no regresso a casa teria mesmo que passar no supermercado para comprar um garrafão e mais uns géneros para encher o bandulho. Não fosse ser atacado pelo Alzheimer, resolvi recorrer a essa refinada técnica de memorização que consiste em escrever um lembrete na palma da mão – coisa muito saudável, claro. Bastava “água”. Quando dei por mim, estava a acabar de escrever a palavra “externa”. Parei e olhei de longe para a palma da mão: “avaliação externa”. Estou lindo, estou… pickwick
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publicado por pickwick às 00:05
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